domingo, 26 de abril de 2015

último domingo de abril

 
Os cães brincam até cansar
depois se aquietam
aqui quase ninguém
assim não importuno;
com eles,
correria
brincar de brigar. 
Eu caminho devagar
sobre nuvens
que se dissolvem ao meu passo
 
 
O cão vira lata
ganha nobreza
sentado ao meu lado,
ciumento,
só ele pode
aos outros
empurra.
Cansei de brigar
recosto no tronco,
que a maré trouxe,
relaxo com eles
já é quase hora de voltar.
 


sábado, 25 de abril de 2015

claridade, ventinho, sol

 
 A casa é arejada
os passarinhos
esperam seu quinhão.
 
Uma garrafa vazia
jogada na beira da praia
aonde se entende que
a mensagem é
vício, descaso, indiferença;
a lâmpada fluorescente queimada
levei embora comigo
vai para o lixo reciclável
assim ninguém se machuca 
 
Enquanto isto eles brincam
correm
se molham
voltam exaustos.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

barranco, meditação, procura, meia lua


Não diminui
se mantém
pra mais ou pra menos
acho que fica
 

 
enquanto ao amanhecer
o velho medita
sonha com um dia bom
 
 
a tarde já se vai
o tarrafeiro
procura
o melhor lugar para se lance
não vi
fui embora, outra praia me espera
 
 
aqui, a agua morna
lugar de duas meninas,
fêmeas, senhoras
de si,
eu e a Preta
felizes da vida
sorvemos sozinhas
a meia lua
e o fim do dia.
A parceira
declinou o convite
veio pra cá correndo,
não quis carona
os cães nos esperavam com festa.
 

terça-feira, 21 de abril de 2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

o segundo sábado

Segunda com cara de sábado
um domingo de outono típico entre os dois.
Hoje me forço a ficar em casa
mas a praia ainda esta cheia;
maré alta,
crianças brincando,
somente cadeiras,
já que o sol não deu o ar de sua graça.
Eu saio sozinha
e passo devagar.
Paro fotografo
hora de voltar pra casa
amanhã será o segundo domingo
depois?
Quarta!


domingo, 19 de abril de 2015

olhos postos ao mar

Todo o pescador
todo o nascido aqui
 alerta
chegaram mais cedo
as tainhas.
Eu
que nem turista, nem nativa,
moradora por escolha
observo,
espio,
fotografo,
os ciclos desta ilha
sempre igual
 totalmente diferente.
Este ano ainda
o frio que o jornal anunciou,
não chegou por aqui.
Ainda bem


sábado, 18 de abril de 2015

duplicidade

Duas cadeiras azuis
o par conversa
na beira.
As gêmeas dividem o espaço,
a mãe, os brinquedos
a vida,
depois se tornam adultas
fazem escolhas por si.
Os tarrafeiros espreitam quietos
o mar, o cardume,
lado a lado.
Dupla, duplicidade,
cumplicidade,
amor
diferente da burocracia
a vida segue
alguns em dupla
outros em pares
alguns em turmas
em tribos
a sós.