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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A entrevista da Barbara Paz

          Ontem por conta de um convidado que eu não tenho nenhum interesse pelo que diz, deixei de assistir Saia Justa.
          Enorme despontamento pelo convidado do programa pessoa que introduziu no Brasil o pior que existe la fora em matéria de programação de reality show.
          Assisti então, encantada o programa  "A arte do encontro'' no Canal Brasil aonde Barbara Paz é a entrevistadora.
          Delicada, envolvente; a meia luz; tirou o melhor do ator Fernando Eiras
          Ao ser perguntado sobre a velhice, citou Maria Bethânia, que respondeu esta mesma pergunta falando que a velhice é um presente devemos aceita-lo então como tal, Quantos não chegam la?
Ganhamos a velhice por mérito devemos então aceita-la como um presente. Pensando desta forma achamos então uma maneira de usufruir esta faze da vida que é a definitiva, não haverá nenhuma outra, a próxima é o outro lado do caminho o mistério que certamente desvendaremos.
          A velhice então ganha a leveza que recusamos aceitar pelos esteriótipos impostos por uma sociedade que prioriza a juventude e a força.E eu que caminho, ora a passos largos ora curtos sigo em direção a ela me espelhando nas mulheres da minha casa, tão belas e felizes sorvendo cada minuto da beleza que nos cerca. Das escolhas acertadas que fizemos, sublimar o que definitivamente não podemos alterar como o caminho traçado pelos que amamos, as dores que ora sentimos, as aflições que as vezes nos assalta.
          E definitivamente sem nenhuma culpa determinar a forma que queremos viver, as pessoas que queremos conviver; cercar a nossa vida de amigos sinceros e evitar os que nos fazem mal, evitar a todo custo os que nos colocam pra baixo, a vida que temos daqui pra frente certamente será menor pois então que seja boa que seja bela que tenha arte que tenha boa música e tudo o que nos faça bem!!
          Dormi então com o encantamento da voz do ator cantando a capela uma música carnavalesca tão antiga e doce quanto a energia que me envolveu naquela hora.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Beth e Heloisa

Início de noventa
a casa comprada em plena inflação louca
Perdeu-se o a noção de valor.
 Muros baixos
Ninguém mora la
Vim de longe, 
bairro movimentado
ficando violento
Aqui o paraíso
a casa com uma muda de goiaba no fundo, vizinhos só no verão
Ao fundo a Beth
dois pinheiros altos um na frente e outro nos fundos 
no telhado mangueira preta
serpenteando todo o espaço,
assim vi o primeiro aquecimento solar
completamente artesanal 
nas torneiras água quente,
feito pelo pai filho e marido habilidosos.
O pai paraquedista, lutou na segunda guerra.
 foi preso pelos aliados;
ao final da guerra,alemão, imigrou.
A mãe trabalhou, adolescente, 
em uma fábrica, ia e voltava de bicicleta ,
no final da guerra se perdia;
as bombas que explodiam haviam mudado a geografia. 
Fui recebida por ela como sempre tentei receber meus novos vizinhos, 
com sorrisos, e amizade.
Na frente Heloisa,
amiga de fé até hoje 
mesmo não nos vendo formou-se uma empatia
e laços de sincera amizade
me faz falta, ela, sua mãe.
Os meninos ainda estão por aqui.
Ela quase não vejo,
vida corrida.
Beth vendeu a casa, árvores cortadas
paredão azulejado 
Mudou a vida 
mudaram os vizinhos 
mudou a energia amistosa
e eu que trabalho tanto
que cultivo amizades da mesma forma 
que cultivo plantas 
com cuidado,
A rua que vi vazia
a rua que meus filhos brincaram de equilibristas, 
nos muros baixos das casas vazias.
Mas nada que o sol não resolva
que a sombra fresca
não amenize
alegria de estar aqui
no meu lugar no mundo
ruas mudadas
casa maiores
e a vida segue
verão é sempre bom



sábado, 31 de dezembro de 2016

arroz

Arroz com lentilha
arroz a Grega
arroz branco.
De nacionalidades diferentes 
e eu cozinhando 
atrevida
gregos não tenho nenhum convidado
tenho um de descendência Síra
espero que goste
espero que coma
espero 
espero 
a frigideira chia 
la vou de volta
puchadinho no alho
cebola caramelizada fritinha na manteiga
e lenço pra prender o cabelo
samba no ar
e alegria pra cozinhar pra o amigos
pra família
tudo que é sofisticado
não é feito aqui
fica por conta de quem sabe
que eu conheço o meu lugar
aqui arroz!! 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Eucalipto

Deixa o ar impregnado, o eucalipto!
Os vizinhos desistem de olhar e comentar
O processo é sempre demorado
Cuidadoso
Cansados cada um volta a seus afazeres
Desistem de comentar
A época não é propícia
Houve demora no prazo,
Mas devagar como deve ser um galho
Imponente vem aos poucos
Ao chão
Apenas um e suas ramas
E suas folhas seu perfume
O Eucalipto segue
Firme.
Todos tomam fôlego
e volta a platéia
cada um, uma opinião.
Quantas vezes ja vi acontecer...
Vizinhas tantas
e suas vassouras
e as opiniões
Houve o tempo que eram amistosas
Passou.
Em outros lugares
em outra época.
Deixei amigas por onde passei
tantos cafés
tantos bolinhos 
tantas delicadezas.
Agora outro momento.
momento eucalipto
descendo devagar 
a prestação!!



terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O dia pra ficar



O sabiá vem beber água
E cantar ao amanhecer.
Apraia enche esvazia,
eu expectadora 
hoje fiquei,
preguiçosa 
a água convida, fria





A maré vem até nós
quase molha nossos pés
recua, eu reostada
na cadeira 
na sombra
não me movo
hoje é dia de ficar
fazer nada
nada pensar
damascos
água
e o mar!



quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A Preta e as incertezas dos finais de ciclos


Todo fim de ano é igual.
Não é
 a única semelhança é a incerteza
fecha-se o ciclo
e o futuro 
incerto
por certo não me fará bem 
preocupar.


O tempo eu conto nos ossos
dor
que eu fingi ignorar
A Preta emagrecida
ignora, ela sim
que sangra;
conto as costelas 
a coluna
ela segue a vida 
vai pra praia 
me segue quando vou 
ou vai com quem for.


 Arte aflora
inesperada escultura
forjada a maresia
e correnteza
raiz transformada
Krajcberg distraído
nem sabe o que é
Não é 
vira carvão 
vira lenha
que aqui não tem disto,
O espaço da exposição
é temporário
quem gostou 
fotografou
amanhã 
pode nem estar mais la!


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

As impaciências e o exercício de amor

Das impaciências
E do que vem depois;
o cair em si, 
e ver que destas impaciências 
que se forma as relações
as profissionais 
as de amor 
de família de alegrias
é só aguardar um pouquinho
que o amor se sobrepõe
E a alegria volta
de fininho de mansinho
nos envolve inteira
e apaga o que na verdade
nem importância tem
O oposto é paciência
esta então, esta em falta! 
Desde o dia que nasci
É um tal de sublimar,
de pensar em outra coisa,
de ocupar o tempo vago
pra não se impacientar.
E neste vai e volta
vai girando a minha vida
acho que não to sozinha 
só acho....