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sábado, 24 de setembro de 2016

as duas casas de praia e o pequeno livro de Ingles

Lá na Anna é assim 
a gente procura uma coisa e acha outra.
Aleatório, 
do nada, 
la estava ele, 
o livrinho. 
Duas assinaturas;
uma do proprietário,
a outra da menina.
Quem estudou nele?
Partiu cedo, bem cedo! 
Quem chorou por ele, 
Quase não lembra mais.
O livrinho edição 1935,
 estudante aplicado;
muitas anotações
livro fotografado,
Livro guardado.


Das casas, a primeira?
Cheiro de eucalipto,
taquaral,
água salobra,
cheiro de enchofre,
copos de alumínio
com os nomes dos netos gravados!
Da segunda casa?
Mocidade
adolescência,
juventude,
namorados !
Do moço?
nunca se falava
no verão
só em agosto!.





redefinindo a palavra esforço


 Esforço não é uma palavra do meu vocabulário
a minha rotina não é cansativa.
Esforço? Não faço quase...
Até ontem.
Posso em um dia ensolarado, brilhante, sem vento,
caminhar na beira da praia?
-Vou falar pra senhora o que vai acontecer;
-Se a senhora sentar em uma cadeira, deitar a beira da praia
não é esforço mas.
Andar em terra fofa caminhar esquecendo da vida por mais de meia hora 
no momento pra senhora é!
Alongar?
Não!
Pilates?
Dois meses sem,
Varrer casa já sabia, mas isto nem me preocupava
Esforço no meu caso é existir
do jeito que foi ate quarta feira.
De agora em diante 
algumas coisas eu vou parar por uma temporada 
Outras nunca mais.
Não tive a sabedoria de outrora 
de parar de subir no telhado pra ver a caixa d´água
antes dos 40;
me sito bem vou fazendo!
Ia fazendo
nestes últimos dias 
apressei o que intuí que me seria
proibido
e foi
já fiz
não faço mais, prometo!


terça-feira, 20 de setembro de 2016

O cemitério esta cheio de insubstituiveis

Dizia meu pai
ao falarmos da falta que alguém fazia
Meu pai silencioso, trabalhava pra aliviar as aflições.
Agora entendo, virei meu pai.
Trabalho pra ocupar a mente, 
faço arte pra não gritar. 
A arte me redime me resgata 
me protege das sombras 
dos dias ruins.
O sol brilha
preciso urgentemente 
ficar ao sol.

domingo, 18 de setembro de 2016

Tio Alcino ( Chichino)

De todos os que conheci era o mais claro
no meio da morenice dos irmãos
Ruivo, sardento olhos claros 
solteirão.
Era de uma mudez 
assustadora pra menina que eu era.
toda vez que íamos la, almoçar ou visitar
 se estava , mal falava.
Jornal na cara, gato deitado na cadeira, bem atras.
Petrona e ele se entendiam pelo olhar.
Homem de fazes, 
ficou anos comendo frango
e anos comendo filet
todo feito com carinho pela Petrona 
qualquer que fosse o cardápio
era delicioso.
Morreu a Petrona 
morreu a mãe
ficou só na casa enorme.
Ia então na minha avó aos domingos,
sem avisar 
e la tinha a netinha
a pequenininha 
que andou cedo 
falou mais cedo ainda
se agrarra nas suas pernas
e pela primeira vez
eu vi 
Chichino pegar no colo uma criança,
ficaram os dois
nariz com nariz
e ela séria, 
examinando;
então dedinhos nos olhos 
nariz, orelhas 
perguntas e mais perguntas
primeira vez vi Chichino rir
gargalhar,
primeiro pacotinho de presente.
Caminhava em voltas na sala depois do almoço,
falando um pouco mais,
mas certamente se sentindo em casa. 
Quando ficou doente fomos mãe pai e eu 
dormir uns dias com ele,
eu deitada na cama improvisada no chão
do gabinete
descobri a National Geographic
que ele colecionava;
morreu só
deitado na cozinha 
chá pronto na beira do fogão
Nunca bebeu
os gatos miando ao redor a lhe fazer companhia!

pra que estes olhos tão grandes?


Se você nem tem chapéu
como a historia infantil?
São olhos e horror e tristeza,
 Estou em perigo,
porque tive a má sorte de nascer,
nas terras férteis 
no meio da mata virgem 
que este Pais tem. 
E o meu sangue 
que corre em cada invasor
não os faz menos
cruel 
não repeitam 
mulher velho criança
tocam fogo passam trator
e a justiça, 
que é bem cega
não demarca 
a nossa terra 
nos despeja em acostamentos
aonde somos mortos, 
por camionetes 
do ano!
Atropelamento 
com vítimas. 
O autor não prestou socorro,
Mas afinal índio bom é índio morto.
Deve estar marcando agora 
no bloquinho ou computador
como faziam antes
os assassinos
no coldre das armas
marquinhas! 
Quantas mortes nas costas você tem?
Atras da taça de espumante
sorriem
terno gravata e 
sangue.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

a volta o caminho


Depois de mais uma sala de espera
volto pra cá


O meu caminho
que eu tracei 
só bem no fim bem agora 
que antes foi 
um barco a deriva
agora âncora
e cuidados
afinal 
passou o tempo
cabelo cinzento
idéias coloridas.


Palavras ao ventre


Palavras de delicadeza que esta parte exige muita atenção
amor carinho beijos
e uma certa dose de paixão
Não esta que aprisiona os homens 
aquela de proteção e você me pergunta agora
-Pra que tanta preocupação?
Se é apenas um cabide,
Olha a forma meu irmão!!
As formas arredondadas remete ao feminino .
a mulher que nos da colo, peito amor sem pudor nenhum
Nós somos tão únicas, tão especiais que somente a forma já desperta 
cuidados, irmandade, empatia e tudo de bom;
as forças da natureza, muito amor e proteção.
E afinal por que este vermelho ai?
Pois é quase ai que fica o chakra da terra, 
o da aceitação;
aceitar que afinal,
 somos todos parecidos,
Olhos nariz orelhas boca, 
a humanidade inteira tem.
Mais um pouco la em cima, 
o chakra da criatividade 
a parte que achamos as saídas 
e desamarramos o nós 
que nos prendem 
ate ao passado, 
Namastê!
( como qualquer obra de arte, esta também não tem fim)
fiquei copiado pois 
nem eu sabia ao certo
aquilo que escrevi
sigo nela 
passo a passo
uma hora acaba.