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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

o difícil desvencilhar


Pessoas, objetos, memórias
Principalmente aquelas memórias que insidiosas entram 
caminham desinibidas antes do sono
que nos acordam;
que nos fazem sofrer outra vez!
Das pessoas....me desvencilho; sempre a mesma pergunta
Vivi tanto tempo sem elas,
Foram importantes, foram boas companhias
ocuparam o vazio da existência,
E depois se foram
sem endereço sem face
a voz, os atos gentis ou não, ficam
gravados.
Este ano de rupturas e de aceitação
Aceitações dolorosas,
rupturas libertadoras,.
Vai embora sem saudades
Só Anna que seguramos a mão,
ambas as duas e a fazemos seguir,
sua jornada solitária;
esta sim, dolorosa pois partiu meu pai e ela ficou
e conta os natais que passa sem ele 
e pergunta inúmeras vezes 
eu respondo a cada vez como se fosse a primeira e sinto também
a fisgada de dor que ela sente.
E o deixei ir, estava na hora 
hora de viver hora de morrer e a gente vai embora.
Ano novo logo chega e este não deixa saudades
Mostrou a cara sombria do facismo
Ano que vem o da ressaca moral de muitos!
E me desvencilho também da expectativa de dias melhores
Não serão, talvez iguais 
Acostumar com o peso no peito que há anos não sentia.
Volto a sentir 
Vai passar, diz minha amiga parodiando o santo!

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Sueli

Morena de lábios cheios
cabelo muito liso, azul de tão preto era;
filha de d.Olinda, mulher corajosa que ficou 5 dias 
de arma em punho junto com suas duas filhas pequenas 
a espreita,
depois que mataram seu amado marido com um tiro só;
na nuca! 
Por desavenças de terra!
Mas isto foi no início do século, na fronteira do Rio Grande!
Esta viúva valente nunca mais casou apesar de bela,
( diz o folclore que atirou um gato, que dormia no sol, em um atrevido).
Cuidou das duas filhas bonitas também.
A mais jovem, Sueli, a morena, a índia, veio a ser a minha sogra,
mulher de silêncios,
a mulher metódica,
de horários,
de afazeres, de caminhadas,
de desvelo aos seus 3 guris.
Com a mãe, parceira que esteve ao seu lado ate a morte;
cuidou da família quietamente.
Os sorrisos vieram com os netos.
Depois dos netos sorriu.
E nós as duas; tão diferentes nos parecíamos
eu a entender a ela e ler seus silêncios!
Aquela casa tão masculina.
No sul do sul.
E as duas em volta a cuidar.
Protegeu, amou, perdeu o filho mais moço sofreu, adoeceu.
Em dor sem gemidos 
Em dor sem lágrimas
Partiu silenciosamente do jeito que viveu.
Os seu amados netos estão agora se despedindo.
Partiu para o outro lado do caminho
aonde esperam por ela 
a mãe dedicada, o marido apaixonado e o filho caçula
Foi em paz, merecida paz.


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

A minha mãe e a tia Bebeth

Na hora de por as luvas
a mãe erra os dedinhos 
pôe dois no mesmo lugar, ri conserta comenta 
da mão pequenina;
depois pela mão leva a menina que eu fui, enfeitada, 
meia e sapato branco para o aniversário,
venta invariavelmente na cidade fria.
Nem todo o aniversário era bom,
haviam crianças hostis, agressivas,
tudo devolvido em meu próprio aniversário!
Corta!
A cidade agora é grande linda e quente
muito quente,
la mora a minha tia preferida 
 mais linda que a cidade,
 Ao visitar a rede de televisão,
era paquerada nos corredores da rede Globo, 
pelo galã da novela do momento!
A prima da mesma idade ao passar pelo Maracanã
sempre comentava que minha cidade cabia la dentro,
toda a população; inteirinha!
E íamos a museus, como íamos!
Era o programa anual de minha tia, 
Alem da praia que não precisava de companhia
 morava a duas quadras da praia.
Um destes museus queimou ontem 
e eu chorei
Minha tia nem deve lembrar que nos levava 
Eu nunca esqueci
ainda hoje é o meu programa predileto.
 Agora eu moro em uma cidade menor ainda; 
se passar com minha prima pelo Maracanã
ela certamente dirá que cabem 10 São Chico la dentro
e eu vou sorrir feliz!


terça-feira, 21 de agosto de 2018

a hora da partida

Um certo torpor, amanhece;
emerge de um sonho cheio de amigos
conversas, caminhadas .
A luz do teto volta a ferir os olhos
parentes mais jovens acordam cansados;
sorriem ao desejar bom dia,
a faze do constrangimento já passou, faz muito tempo
agora é esperar que o nó se desfaça
que a vida se acabe
que a dor passe
que tudo termine logo
O tempo não tem mais sentido
a vida também não
a velhice veio junto com
dor limitações doenças
a morte é o desfecho
esperado por todos
o hospital, o último estágio.
A casa não foi projetada pra tanta idade.
La na casa
eram felizes
tinham netos pequenos
tinham planos a curto prazo,
 sabedoria mais alegria
eram um par e tanto.
O tempo comeu o entusiasmo
comeu a saúde
a habilidade
e agora só resta esperar
pena que foi tão rápido
pena que foi tão bom.
Difícil desapegar
engole as lágrimas
 ninguém percebe.
O entra e sai de enfermeiras e médicos
impedem de descansar, impedem de morrer.
Mas uma noite se desprende
sensação de vertigem cair no vazio
depois flutuar
partir.

terça-feira, 31 de julho de 2018

ACONCHEGO DOS SONS

Em um canto, quieta, ao longe, ainda ouço a voz da minha avó,
retalhos de conversa, não identifico com quem,
Sentia então um sentimento de aconchego,
o mesmo sinto hoje
mais de sessenta anos depois.
Deitada no escuro, 
ouço a voz de minha mãe,
pedaços de conversa
e o sentimento é o mesmo.
Aconchego, sinônimo de felicidade,
que passa pelo corpo da gente feito um raio;
e some,
Mas fica o eco do momento,
se bem guardado, juntando com outras sensações,
armazenamos um bocado de momentos,
breves, mas juntos, nos sustentam por um bom tempo.
É só abrir a gaveta da memória feliz
e dispor destes hiatos no meio do caos 
das nossas vidas em atropelo.
Identificar e guardar. 
eu no barco minha mão na água fria 
 meu pai na proa! 
A mão firme do avô segurando a minha, com a outra mão a bengala ,
cala olha o céu ouvindo o passarinho!
bem-me-quer, mal-me-quer de margaridas desfolhadas
então vem os cheiros,
pisando na grama úmida.
e os partos ah os partos 
do medo ao êxtase em um segundo!


Penas ao vento

As críticas ficam gravadas para sempre 
nos computadores
as retratações , quando vem são tímidas e nunca publicamente
Mas o dano esta feito
Demonizam quem lhes da a mão.
Em um Pais de desamparados socialmente e clinicamente!
 Trocam o celular e não avisam
e culpam a saúde que não ligou
e mudam de bairro e de cidade e não se dão ao trabalho de reportar
tirando de quem precisa a vez
E dedos são apontados 
sua culpa; sem que sequer se ouça o outro lado
e jornalistas tomam partido
sem que tenham noção da extensão do dano que causam,
pouco se importam
muitos likes pra afagar vaidades
e assim se enterram reputações 
e assim são destratados 
vilipendiados, quem se importa, 
são tempos de ódio! 

quinta-feira, 26 de julho de 2018

a avó Anna

Na juventude, 
delgada 
meia fina, salto alto fino;
a meia corria o fio, caras e raras na época;
 ela ia em uma senhora que era especialista em concertos;
portuguesa, morava na nossa rua,
rua cheia de plátanos,
garagem do SAMU,
 maçonaria , conservatório de música,
e a feira na esquina
com a batata suja, morangos pequeninos,
 e as laranjas mais sumarentas e doces que já comi.
Céu de inverno, intensa claridade
andava eu pela mão
no tempo que ela era só a minha mãe,
no tempo de juventude,
no tempo da impaciencia, 
me levava ela então,
a menina de olhos sensíveis,
 lacrimejava tanta a luz.
Cumprimentava e conversava com todos.
Cuidava dos doentes nos hospitais,
aonde quando eu ia 
ela baixinho repetia, 
não toca em nada , em nada!
Amiga verdadeira, 
mãe amorosa 
mas quando chegaram os netos, 
e olha que demorou
Ela desabrochou em felicidade
nunca a vi tão feliz
ficava 40 dias com o neto, 30 em sua própria casa.
O meu foi o primeiro
no total foram só quatro
de nossa família pequena 
agora seus olhos só brilham por eles.